Embaixada de Portugal na Colômbia

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Ana Vidigal, João Fernandes e Kubik Gallery presentes na ARTBo 2018

 

ana vidigal

Tem início no próximo dia 24 de outubro a 14ª edição da Feira Internacional de Arte Contemporânea de Bogotá – ARTBo que contará com as presenças da Galeria portuense Kubik, da artista plástica Ana Vidigal e do sub-director do Museu Rainha Sofia de Madrid, João Fernandes.

Fundada em 2004, e organizada anualmente pela Câmara de Comércio de Bogotá, a ARTBo afirmou-se como um centro fundamental de intercâmbio e promoção da cena artística colombiana. 

Ana Vidigal apresenta-se pela primeira vez na Colômbia para duas conferências, uma na Universidade dos Andes e outra na Fundação Flora ars+natura. Nesta ocasião, a artista portuguesa instalará na Universidade dos Andes a obra "Très vite dans ma vie il a été trop tard”, criada originalmente para a exposição “O que pode a Arte” realizada no Atelier -Museu Júlio Pomar, em Lisboa, tendo como ponto de partida os 50 anos do Maio de 68 e uma serie de obras de Júlio Pomar feitas nessa mesma época.

Como Ana Vidigal não viveu o Maio de 68 não podendo, por isso, usar a sua experiência pessoal para a reflexão, resolveu “pegar num elemento formal que na época teve imenso impacto: o cartaz político, coisa hoje em dia caída em desuso e de estética duvidosa, mas que na altura foi fundamental, porque foram muitos deles feitos por artistas, com frases que ainda hoje nos lembram a época. No entanto tendo consciência que o Maio de 68 não foi um único movimento (sendo o estudantil o mais mediático) mas sim resultado de uma profunda crise económica e de direitos (à greve por exemplo) peguei num livro de propaganda chinês, original e escrito em francês ( porém feito na China) que era usado para propaganda e arregimentar desde muito novas as crianças para a revolução chinesa.” Ainda segundo a artista, “é, pois, também uma critica a essa mesma propaganda, de uma utopia que hoje em dia se sabe não ter funcionado.Alienei a escala do livro infantil, ficando cada página com a dimensão de cartaz. Ao cola-los uns por cima dos outros, relembro também a imagem formal de paredes portuguesas depois da revolução de 74, onde partidos políticos ainda defendiam utopias que se sabia serem uma fraude.”

Através dos seus trabalhos em colagem, pintura, montagem e instalação, Ana Vidigal (Lisboa, 1960) fala sobre o tempo, sobre a memória. Utiliza-os como processos de descontextualização e reconfiguração de imagens retiradas de diferentes fontes, explorando os valores sociais, políticos e até de memória que transportam.

Depois da sua presença em 2017 com um Project Room, a galeria portuense Kubikgallery volta a marcar presença no espaço da Feira desta vez com uma proposta do histórico artista brasileiro Emmanuel Nassar (Capanema, 1949) cuja trajetória artística começa no início dos anos 80. Desde então, o seu trabalho tem-se revelado essencial para questionar conceitos que pareciam estar bem esclarecidos como a arte popular brasileira ou a pop art produzida no Brasil. A sua paixão pelas cores fortes e as soluções construtivas improvisadas dos mercados, parques, circos, brinquedos populares da periferia de Belém (onde nasceu), combinadas com as referências aparentemente contraditórias na história da arte conceptual, construtiva e pop art, resultam num exercício de equilíbrio, critico, precário e irônico. O artista expôs nas 20ª e 24ª Bienais de São Paulo, ganhou o grande prémio da 6ª Bienal de Cuenca e participou na 45ª Bienal de Veneza. 

A Kubikgallery surgiu na cidade do Porto em 2010 como um espaço de divulgação artística, com o principal desígnio da representação de artistas portugueses e estrangeiros, tanto em Portugal como no exterior, através de sucessivas participações em feiras internacionais. Desde 2016 tem também uma sede em São Paulo, no Brasil.

João Fernandes, sub-director do Museu Rainha Sofia de Madrid, já esteve presente na ARTBo noutras ocasiões. Na edição de 2018 volta a participar na programação académico da Feira. 

Durante uma semana, a Feira Internacional de Arte Contemporânea de Bogotá reúne as melhores galerias nacionais e internacionais, curadores, artistas e obras de diferentes formatos e técnicas. Graças à cuidadosa seleção e qualidade das galerias, e ao seu modelo único que inclui secções não comerciais, a ARTBO converteu-se no eixo central do circuito artístico de Bogotá e uma das feiras mais refrescantes e arriscadas da América Latina. Por esta razão, é considerada uma das visitas inevitáveis no circuito da arte em todo o mundo. 

Partilhar:
FacebookTwitterGoogle +E-mail